O estomago queima, vazio.
O pulmão queima, intermitente.
Os olhos queimam, cego.
Derreto, me desfaço, nesse quarto
escuro
Quero explodir, mas explodir por
quê?
eu não sou assim, eu não sou
não não não não
eu não sou ninguém
nada mais que um peão
de um jogo que não é meu
E eles vão achar que eu fui possuído
pelo diabo
Farão o sinal da cruz, o sinal da
tortura
E se fizeram da minha vida um
inferno
assumo protagonismo
Não dantesco, muito menos faustiano
A visão de Milton me cai bem
Açoita-me a solidão
Rasga-me a decepção
eu me rebelo e pulo
Num suicídio exemplar
E flutuo no ar
Como um mergulhador convulsionando
E na piscina a água é ar, e o ar
é veneno
E dirão, Pedro me deves: o diabo
não é tão feio assim como dizem
E Pedro dirá, atente-se aos olhos
daquilo. E duvidarão, e espiarão
E haverá apenas o abismo e a
queda
A queda a queda a queda
Abrupta e vazia
Sem graça
desgraça
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