quinta-feira, 1 de julho de 2021

Edifício


O estomago queima, vazio.

O pulmão queima, intermitente.

Os olhos queimam, cego.  

Derreto, me desfaço, nesse quarto escuro

Quero explodir, mas explodir por quê?

eu não sou assim, eu não sou

não não não não

eu não sou ninguém

nada mais que um peão

de um jogo que não é meu

E eles vão achar que eu fui possuído pelo diabo

Farão o sinal da cruz, o sinal da tortura

E se fizeram da minha vida um inferno

assumo protagonismo

Não dantesco, muito menos faustiano

A visão de Milton me cai bem

Açoita-me a solidão

Rasga-me a decepção

eu me rebelo e pulo

Num suicídio exemplar

E flutuo no ar

Como um mergulhador convulsionando

E na piscina a água é ar, e o ar é veneno

 

E dirão, Pedro me deves: o diabo não é tão feio assim como dizem

E Pedro dirá, atente-se aos olhos daquilo. E duvidarão, e espiarão

E haverá apenas o abismo e a queda

A queda a queda a queda

Abrupta e vazia

Sem graça

desgraça

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